Abrir para não fechar - Parte I

O Figueirense passa por um momento emblemático na sua história. Depois de um período áureo, onde não via ninguém à sua frente no estado (diga-se de passagem, nem mesmo ao seu lado) e estava no topo da cadeia alimentar futebolística, chega a hora das “vacas magras”. Potencializada pelo sucesso do arqui-rival, a crise tomou conta do Scarpelli. E a solução, ao meu ver, seria abrir para não fechar.

É tendência mundial desde o início dos anos 90: clube bem administrado, vencedor e com dinheiro em caixa é aquele que coloca suas ações na bolsa e se abre aos investidores externos. Foi assim com Manchester United, Real Madrid, Milan, Liverpool, Arsenal, Chelsea e, mais recentemente, Manchester City. Formaram times vencedores e aumentaram significativamente o número de torcedores e, como numa progressão geométrica, o seu capital.

Sei que essa tendência não chegou ao Brasil. Sei que falta muito para que algum clube possa tomar este caminho, mas alguém tem que começar. E por que não o Figueirense? Num momento de transição e de crise, a mudança serve, no mínimo, para movimentar a torcida. Por que investir, mais uma vez, numa parceria com empresas de agentes de jogadores, quando se está mais do que provado que quem realmente ganha com isso não é o clube. Claro, há um relativo sucesso, mas o clube se torna refém da empresa, e quando ela sai, geralmente deixa a terra devastada, casos do Palmeiras rebaixado em 2002 e Corinthians rebaixado em 2007.

Analisemos então o Figueirense, que desde 1999 foi sempre exaltado como um modelo de gestão à ser seguido. Clube de pequeno à médio porte, com contas em dia, caixa fechando no “verde” (azul não vale!), títulos e hegemonia no futebol catarinense. Tudo andava às mil maravilhas até 2008, ano do rebaixamento.

Hoje, como por um milagre, a gestão alvinegra passou a ser execrada publicamente. Muito se fala na saída da Figueirense Participações Sociedade Anônima - FPSA, da Brazil Soccer e, mais especificamente, das pessoas de Paulo Prisco Paraíso, José Carlos Lages e Eduardo Uran.

Para clarificar as coisas, cumpre-me ressaltar que sim, a gestão do Figueirense pode ser considerada como modelo, se comparada com o nível do futebol brasileiro. Pelo simples fato de conseguir manter suas contas em dia. Ponto final. Agora, se compararmos com o que deveria ser um modelo de Gestão Profissional de Futebol, estamos anos-luz em atraso.


0 comentários:

Postar um comentário